Por Carlos Lima, Carina Ribeiro e Catarina Freire


Carlos Lima: A sociedade moderna, para a sua evolução, usa tecnologias inovadoras. Essas tecnologias podem parecer seguras, mas, com o tempo, podem levar a complicações e ao aparecimento de doenças. A Carina Ribeiro e a Catarina Freire vão dar alguns exemplos dessas doenças.

Carina Ribeiro: Somos confrontados diariamente com o surgimento de novas doenças, que afectam, ou podem vir a afectar, a nossa sociedade.

Catarina Freire: As últimas notícias dão-nos conta duma francesa, de 39 anos, que terá ganho um processo em tribunal por ser alérgica à radiação electromagnética de vários equipamentos, tendo o juiz decidido que a mesma teria direito a um subsídio de oitocentos euros por mês nos próximos três anos.

Carina: Ao que parece, esta mulher apresentava vários sintomas (náuseas, fadiga, palpitações, dores de cabeça) associados à hipersensibilidade electromagnética, vendo-se mesmo obrigada a retirar-se para uma região onde nem sequer existe electricidade e onde se vê privada de muitos bens essenciais e básicos.

Catarina: O inédito é que, embora o tribunal lhe tenha concedido o direito ao subsídio, não reconheceu a hipersensibilidade electromagnética como uma doença, o que leva a que muitas pessoas que sofrem desta patologia se vejam obrigadas a viver isoladas da sociedade, sendo de certo modo excluídas, pondo em causa a sua dignidade enquanto seres humanos.

Carina: A Organização Mundial da Saúde define esta doença como uma intolerância ambiental idiopática, que está ligada à sensibilidade ao barulho, à luz e a químicos.

Catarina: Trata-se, por isso, duma patologia com elevado potencial de expansão, dado que temos assistido a uma massificação destas tecnologias. Desde o ano 2000 que os computadores, os telemóveis, o wi-fi, etc. têm vindo a emergir no nosso dia-a-dia, sendo impossível ou quase encontrarmos um local onde não estejamos sob a sua influência, desde escolas, hospitais, locais de trabalho, centros comerciais, etc.

Carina: O Conselho Europeu terá mesmo pedido aos governos a criação de zonas livres de radiação e terá também pedido a proibição da rede wi-fi e de telemóveis nas escolas.

Catarina: Embora alguns países reconheçam a hipersensibilidade electromagnética como uma doença, o facto é que outros a continuam a negar a sua existência. Já se sabe que, para um país, é muito mais rendível que os cidadãos continuem a consumir todas estas tecnologias, mesmo que isso implique «o desastre do século XXI», como referiu um especialista em saúde ambiental.

Carina: Para além da hipersensibilidade electromagnética, nos últimos anos surgiu uma nova patologia, a que se chama «o pescoço dos SMS», que se prende com o facto das pessoas forçarem constantemente o pescoço para baixo, quando mexem no telefone, exercendo uma carga de cerca de 30 kg sobre o pescoço, podendo provocar graves lesões na coluna.

Catarina: Outra patologia frequentemente associada ao uso da tecnologia são as perturbações do sono [1], devido à luz artificial da televisão, dos computadores e dos telemóveis modernos, que afecta a produção de melatonina e perturba o ritmo circadiano [2].

Carina: Como podemos ver, algo que nos é tão útil e que se torna indispensável na nossa vida nos dias de hoje poderá não ser assim tão benéfico para a nossa saúde.

Catarina: Será impossível erradicar por completo toda a tecnologia existente na nossa sociedade e a solução não passará por aí, mas sim por fazermos uma gestão racional, não só da utilização da tecnologia, mas também dos locais nos quais somos obrigados a estar sob a sua influência.

Carlos: Muito obrigado à Carina Ribeiro e à Catarina Freire pela provocação.

Saúde!

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