Por Jarrett Walker
Traduzido do original [1] por Gustavo Martins-Coelho


Os preços dos transportes colectivos em Los Angeles são mais baixos do que em São Francisco? Essa é a impressão que o leitor terá, se fizer uma comparação directa do preço base dum bilhetes de viagem simples. O blogue de viagens «Price of travel» [2] comparou o preço básico das viagens em transporte colectivo [3] das oitenta principais cidades turísticas em todo o mundo e observou que, enquanto na Muni de São Francisco o bilhete básico custa $2,00, na MTA do condado de Los Angeles custa $1,50.

Sim, mas São Francisco oferece um transbordo gratuito, de modo que um bilhete de $2,00 leva o passageiro a qualquer ponto da cidade. Em Los Angeles, o leitor pode viajar ao longo duma linha por $1,50, mas muitas viagens exigem um transbordo; nesse caso, o preço total será de $3,00.

A tentação jornalística de citar e comparar preços de bilhetes de viagem simples é uma das razões pelas quais os operadores de transporte colectivo se sentem pressionados a manter esse valor baixo, o que por sua vez os leva a aumentar a receita doutras formas, como seja cobrar por transbordos. É um pouco a mesma forma como funcionam as companhias aéreas de baixo custo, oferecendo descontos enormes, mas cobrando taxas por todo o tipo de coisas.

Os operadores de transporte colectivo do condado de Los Angeles também funcionam sob um arranjo de financiamento peculiar, no qual um valor de financiamento global do condado é distribuído de acordo com a receita total, dividida pelo preço do bilhete simples. Assim, se o operador mantiver o preço base baixo (cobrando por «acréscimos», tais como transbordos), obtém mais dinheiro do condado! Esta fórmula destinava-se a ser um indicador do número de passageiros transportados, que é difícil de medir, pelo que se espera que, assim que os cartões inteligentes se tornem um método fiável de contar os passageiros, a fórmula e as suas consequências perversas possam ser abandonadas. Claro está, o verdadeiro desafio será contar viagens completas de passageiros em vez de validações. Estas últimas são mais fáceis de contar, mas contam duas vezes as viagens que exigem um transbordo.

Mesmo a Southwest Airlines [4] vende um bilhete desde a origem ao seu destino, em vez de fazer o passageiro comprar cada segmento separadamente. Na verdade, o bilhete de A a B com transbordo em C geralmente não custa mais do que o bilhete de A a B directo, porque a companhia reconhece que o passageiro faz transbordo em C para conveniência daquela e não deste.

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