Nota do editor: este artigo é um resumo do texto original do João Adelino Faria, publicado no jornal «Dinheiro Vivo» [1].


Pela primeira vez, Portugal tem um governo com uma cega, um cigano, uma angolana negra e um primeiro-ministro de ascendência goesa. No parlamento, há um deputado paraplégico; e, nas eleições, houve uma candidata transexual. Só é lamentável que tudo isto ainda seja notícia. O governo do Canadá tem quinze mulheres, um tetraplégico, uma cega, um refugiado afegão e um sikh. Na Alemanha, o poderoso ministro das finanças desloca-se numa cadeira de rodas. Um dos mais competentes ministros britânicos era cego. Mas ninguém nota.

Em Portugal, ainda combatemos o preconceito de forma preconceituosa: não é com a exaltação na imprensa das diferenças dalguns dos novos governantes e deputados que ajudamos à inclusão; é quase chocante perceber que factos como estes ainda fazem manchetes. As pessoas que desempenham estes cargos são seguramente as mais competentes, pelo que temos a obrigação de não as destacar pelas razões erradas. Infelizmente, ainda estamos muito atrasados em relação a este assunto.

Não consigo entender esta discriminação, mesmo que involuntária e inconsciente, nos jornais. Por que será que não conseguimos ultrapassá-la?

Anúncios