Por Carlos Lima (com Cátia Cruz e Gabriela Batista) 

Cátia – Nas últimas décadas, tem-se assistido a um grande aumento do número de idosos conforme os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Esta situação pode ser justificada pelos sucessivos progressos na área da medicina, que conduziu a um aumento na esperança média de vida.

Gabriela – No entanto, com o avanço da idade surgem fragilidades que são normais, tais como a diminuição da capacidade cardiorrespiratória, dificuldades visuais e auditivas, alterações no equilíbrio e no andar, diminuição da força muscular e doenças articulares e ósseas como a artrose e a osteoporose.

Cátia – Devido a estas alterações, o idoso vai alterando os seus hábitos e rotinas diárias, substituindo-as por outras ocupações e atividades menos exigentes, o que resulta em consequências sérias.

Gabriela – Apesar da Fisioterapia poder ser necessária em qualquer fase da vida, no idoso a sua importância é tão relevante no tratamento como na prevenção. O seu objetivo consiste em preservar, manter, restaurar ou desenvolver funções proporcionando assim melhoria da sua qualidade de vida. As práticas preventivas ocupam, em qualquer especialidade, um lugar de destaque, sobretudo naqueles idosos cuja condição patológica geral tenha diminuído de forma significativa a sua mobilidade e a sua independência.

Cátia – Com a prevenção, a Fisioterapia ajuda os idosos a superar os constantes obstáculos, ajuda a melhorar as suas capacidades funcionais como também ajuda-os a ganhar consciência das suas limitações, sugerindo algumas alterações que podem fazer nas suas casas de modo a facilitar o dia-a-dia.

Gabriela – A fisioterapia consiste na maximização do potencial de movimento e funcionalidade. O principal objetivo é promover qualidade de vida ao longo de todo o ciclo de vida, principalmente em circunstâncias em que o movimento, a função e a participação social estão ameaçados pelo processo de envelhecimento, por lesão, doença ou por fatores ambientais e/ou pessoais, respeitando sempre as necessidades do indivíduo.

Cátia – O Centro de Saúde de Estarreja em conjunto com a Escola Superior de Saúde da Universidade de Aveiro, esta a desenvolver um projeto de intervenção na população idosa. Esta intervenção tem como objetivo melhorar a condição respiratória e motivar a comunidade a ser fisicamente ativa. O plano de intervenção consiste em sessões bissemanais realizadas todas as terças e quintas-feiras às 9h30 da manhã com uma duração de cerca de 1h. Nestas sessões os idosos realizam, ao som de música portuguesa, exercícios de aquecimento, fortalecimento, flexibilidade, equilíbrio e arrefecimento, de modo a provocar melhorias na condição física e melhorar, consequentemente, o bem-estar.

Gabriela – Mas porque realizar uma intervenção destas? Um dos problemas frequentes nos idosos é a dispneia. A dispneia é um sintoma respiratório no qual se perceciona falta de ar e ocorre a um nível de atividade física que não seria esperado. É geralmente descrito como a “sensação de falta de ar”.

Cátia – Existem várias estratégias que permitem aliviar a dispneia, nomeadamente as posições de alívio de dispneia. Entre elas encontram-se a posição de sentado com a cabeça e os braços sobre a mesa, de pé com as costas na parede e com o tronco fletido e por exemplo deitado de lado (decúbito lateral) com uma almofada entre as pernas.

Gabriela – De modo a prevenir a dispneia podemos recorrer às técnicas de conservação de energia que irão diminuir o gasto energético das atividades da vida diária. Estas técnicas consistem na adoção de posturas com o intuito de diminuir o gasto energético, permitindo a otimização das atividades de vida diária, proporcionando ao idoso a maximização da sua independência funcional. Os princípios base da conservação de energia são a otimização da mecânica corporal, planeamento das AVD’s e o recurso a vias alternativas para executar as tarefas.

Cátia – Estas estratégias são tão simples como verificar se reunimos todo o material que se necessita de forma a evitar viagens desnecessárias, realizar atividades duradouras na posição de sentado, como por exemplo cozinhar ou passar a ferro, guardar os objetos mais utilizados em gavetas ou prateleiras que estejam ao nível da cintura ou dos ombros, permitindo um acesso mais fácil, alternar as atividades leves e cansativas ao longo do dia, reservando o período do dia em que se sente com mais energia para realizar as atividades mais exigentes, por exemplo, fazer a cama é uma das atividades que mais energia gasta e deve ser realizada logo pela manhã.

Gabriela – Simples alterações no dia-a-dia do idoso podem facilitar e promover a sua independência!

Carlos – Muito obrigado à Cátia e à Gabriela

Saúde

 

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