Por João Roncha

De um filme a que assisti, na semana passada, durante a minha passagem pela cidade de Palermo, na Sicília. Uma reposição do já clássico do cinema mundial, e nomeado para seis Óscares — que deu o Óscar de melhor actor secundário a Mark Rylance, — com banda sonora composta por Thomas Newman, fotografia a cargo de Janusz Kaminski, uma brilhante edição de Michael Kahn, e assim por diante. As coisas estão bem encaminhadas e servem de entrada para o espectador mais atento.

Embora a verdadeira surpresa, além da impressionante encenação do filme, seja a capacidade do cineasta nos dar um novo gosto para narrar cinematograficamente, com uma proposta brilhantemente simples nos seus postulados, o filme «Ponte dos espiões», embebido de uma dose de nostalgia artística, é uma estranha forma que parece tirada dum outro tempo em que até mesmo as questões mais espinhosas poderiam ser tratadas amigavelmente — quase mesmo, a certo ponto, ingenuamente.

Spielberg mostra, nesta película, a confirmação daquilo que muitos já constataram: as suas mestria e genialidade para qualquer género de película. Tenho ouvido algumas críticas negativas por parte da imprensa e de alguns amigos cinéfilos que observam ser um filme com um final passivo e inevitável, e uma múltipla exaltação à pátria e aos Estados Unidos da América, já apresentado antes nalguns filmes de Spielberg. Na minha opinião, «Ponte dos espiões» é excelente! Atmosfera, performances, clima e desenvolvimento. Conquanto o assunto seja particularmente apelativo para mim, a meu ver, não se pode criticar negativamente este filme, visto não se poder negar que a história agarra o espectador desde o início e mantém o seu ritmo narrativo ao longo de todo o filme, com a marcação principal que atende o primeiro objectivo da sétima arte: entreter.

O nível dos principais actores é uma vantagem que dá a este trabalho mais uma estrela para avaliar. Um bombom artístico a partir do qual se pode contemplar como lidar com a gestão do passado, o sempre reprovável tema do holocausto — perigoso, aterrador. Uma maneira elegante e indolor, com um desfecho quiçá um pouco previsível e lamechas. Ainda assim, quase duas horas de bom cinema! Aconselho!

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