Por Gustavo Martins-Coelho

Hoje, tinha pensado falar mais um pouco das medicinas alternativas e do que elas podem ou não fazer por nós — bem, na verdade, mais o que elas não podem, como foi visto, nas últimas três semanas, a respeito da acupunctura [1, 2, 3] —, mas o sucesso desportivo de Portugal no passado Domingo alterou-me os planos. Não podia deixar de aludir à conquista do campeonato europeu de futebol pela nossa selecção nacional [4], mas também às cinco medalhas conquistadas no campeonato europeu de atletismo, entre as quais duas de ouro para a Patrícia Mamona, no triplo salto, e a Sara Moreira, na meia-maratona [5].

E falo destes triunfos, porque, num espaço sobre saúde, falar de desporto nunca é demais, tendo em conta os benefícios que este traz à saúde; nem precisando de ser um desporto organizado: qualquer actividade física é boa para a saúde [6]. Mas, hoje, ocorreu-me abordar um outro tema, a propósito do susto que a selecção nacional de futebol apanhou, logo no início do jogo: a lesão do Cristiano Ronaldo. E o tema que me ocorreu abordar foi, precisamente, o joelho — o do Cristiano Ronaldo e o de toda a gente!

A anatomia do joelho

A estrutura do joelho é um reflexo da sua função na deambulação, visto que a sua estabilidade e capacidade de movimento são fundamentais no nosso dia-a-dia. O uso, a idade e as lesões traumáticas podem causar alterações estruturais que podem limitar a função do joelho.

O joelho, como qualquer outra articulação [7], é composto por ossos [8], cartilagem e ligamentos.

Os ossos do joelho são o fémur, a tíbia, o perónio e a rótula, embora o perónio não tenha uma função activa na articulação, nem na transmissão do peso. O fémur é o osso mais comprido e resistente do corpo humano. A sua extremidade proximal, isto é, que está mais próxima do esqueleto axial, que é a parte do esqueleto que suporta a cabeça, o pescoço e o tronco — dizia eu que a sua extremidade proximal constitui a cabeça do fémur, que se articula com os ossos da bacia. Já a extermidade distal, assim chamada por estar mais distante do esqueleto axial, articula-se com a tíbia e a rótula. Já a tíbia, na sua extremidade proximal, faz parte da articulação do joelho, como acabei de dizer, e, na sua extremidade distal, da articulação do tornozelo. Lateralmente, articula-se com o perónio. A rótula é um osso achatado, de forma variável, mas semelhante a uma cunha. É o maior osso sesamóide [8] do corpo humano, estando inserida no tendão do músculo quadricípite femoral.

Os meniscos são fibrocartilagens em forma de crescente, que permitem ajustar a cabeça da tíbia à extremidade do fémur. Por vezes, os meniscos sofrem rupturas, que, dependendo da zona do menisco que é afectada, podem resolver-se sem complicações ou necessitar de correcção cirúrgica.

Os ligamentos da articulação do joelho dividem-se em dois tipos: os extra-articulares e os intra-articulares. Não vale a pena entrar em detalhe, mas são de referir dois ligamentos intra-articulares relativamente célebres: o cruzado anterior e o cruzado posterior, cujas lesões são comuns em desportistas. No caso do Cristiano Ronaldo, porém, foi um ligamento extra-articular o que sofreu lesão: o ligamento colateral medial [9].

Finalmente, os músculos [10] que permitem mover a articulação. O joelho tem movimentos de flexão e de extensão, com possibilidade de rotação limitada. O principal músculo responsável pela extensão do joelho é o quadricípite femoral (o tal em cujo tendão existe a rótula). Chama-se quadricípite, porque tem quatro cabeças musculares, tal como o bicípite e o tricípite, no braço, são assim chamados por terem, respectivamente, duas e três cabeças musculares. A flexão do joelho está a cargo de diversos músculos, que conjuntamente constituem aquilo que se chama o jarrete.

Hoje, fico por aqui, não sem antes reafirmar a importância do desporto e da actividade física para uma saúde de ferro.

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