Por Sara Teotónio Dinis

O interno de Medicina Geral e Familiar conhece bem o fenómeno anual que se desenrola de Março a Junho. Este é um período geralmente rico em trabalho, dado que nele se regista uma particular abundância de eventos formativos com importância para esta especialidade.

Entre cursos, congressos, reuniões, apresentações de trabalhos, relatórios de estágios e avaliações parcelares, estes são meses que passam, habitualmente, a voar, e que esgotam as reservas vitais do interno.

No meu caso, este ano não fugiu à regra. As páginas das planificações mensais eram bafejadas de cores fortes numa tentativa pouco frutífera de diferenciar tipologias de trabalho e relevância de tarefas. Ao lado, nos espaços em branco, misturavam-se pequenas tarefas diárias com telefonemas a fazer, jantares a comparecer, e mercearias a comprar.

Este ano, a Primavera Curricular adivinhava-se mais difícil, dado o movimento pendular diário que queimava duas horas inteiras e esgotava a concentração mental.

Em vésperas de desespero e amargura, deu-se um milagre com dois nomes (e dose q.b. de saudável loucura) – Mel e Cata.

É a impotência que nos endoidece. É a ansiedade que nos mata. E no meio disso tudo, é o trabalho que nos distrai.

As ondas dos nossos quês vão e vêm, não há escapatória… No meio do turbilhão que somos nós e nos impele ao desatino, é o porto seguro de abrigo que nos tranquiliza a maré. Tenho a sorte de ter vários – nesta Primavera elas foram o meu.

Obrigada, meninas, é dizer-vos tão pouco…

 

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