Por Carlos Lima

A fotoprotecção é definida como o conjunto de medidas destinadas a eliminar ou atenuar o efeito nocivo da radiação solar sobre a pele. Existem factores de protecção ambiental, factores orgânicos e factores químicos[1].

Nos factores ambientais falamos essencialmente do ozono que absorve a totalidade de radiação ultravioleta do tipo C (UVC) que pelas suas propriedades destrutivas tornaria a vida na terra praticamente impossível, absorve 90% da radiação ultravioleta do tipo B (UVB); este tipo de radiação penetra fundo na pele e interage ao nível do material genético da célula podendo gerar alterações cancerígenas. A radiação ultravioleta do tipo A (UVA) chega praticamente toda à Terra e interage com a nossa pele activando factores protectores que a pele é capaz de desenvolver[2].

Nos factores orgânicos falamos da pele que nos permite uma adaptação progressiva à exposição solar. A pele possui um conjunto de células mortas expostas em camadas e constituídas essencialmente de queratina, que lhe dá mais consistência e aumenta a protecção contra a radiação.A melanina torna a pele mais escura oferecendo mais resistência à passagem da radiação solar, principalmente a radiação ultravioleta. Existe ainda um conjunto de outras substâncias que são capazes de filtrar e absorver a radiação[3].

Depois existe uma gama variada de produtos químicos destinados a proteger a pele ou ajudar a pele a proteger-nos. Falamos aqui dos protectores solares que reúnem uma ou mais formas de actuação. Funcionam por absorção da radiação, filtragem ou alteração da radiação para que a pele e o corpo lidem bem e tirem proveito da luz solar.

As características da pele influenciam a utilização de protecção. A pele de cor clara tem menos protecção contra a radiação. A pele que já foi alvo de queimadura solar tem menos capacidade de fotoprotecção. A pele das crianças ainda não tem todas as capacidades de protecção essencialmente por não ter a camada córnea tão bem formada. A pele dos idosos é mais frágil porque já perdeu muita da sua elasticidade.

As exposições às horas de maior intensidade de luz solar, associa a radiação ultravioleta a radiação infravermelha. A radiação infravermelha tem um grande potencial calorifico ou seja, aquece muito a pele, pelo que a fragiliza e promove a abertura dos poros e facilita a entrada radiação ultravioleta com ondas de propagação muito curtas e estamos a falar de radiação com comprimento de ondas abaixo dos 400nm, sendo que o nanómetro é a divisão do milímetro em um milhão de partes.

Evitar as horas de maior intensidade solar, mesmo nos dias em que há nevoeiro, pois a radiação ultravioleta passa através do nevoeiro. Lembre-se que a radiação que nos pode provocar queimaduras na pele não é visível para o olho humano, pelo que não depende da luz visível.

Proteja também os seus olhos, estes têm componentes que são muito sensíveis à radiação, como é o caso do cristalino que envelhece e perde a elasticidade, podendo dar origem a cataratas. Mas tenha em atenção à qualidade dessa protecção. O olho humano reage à exposição à luz com a contracção da pupila, quando a protecção não filtra a radiação não visível esta chega directamente à retina causando danos, regra geral irreparáveis.

A luz solar é necessária para vários processos orgânicos nomeadamente para a produção de vitamina D que interage com a formação do osso [4]. Os fotoprotectores são mecanismos potentes e eficazes para exposições moderadas, mas insuficiente para uma exposição intensa e prolongada pelo que o factor mais importante de fotoprotecção é o bom senso na exposição e a utilização adequada dos factores fotoprotectores.

Agora que já sabe, não tem desculpa para não cuidar da sua pele, para que ela cuide bem de si.

Saúde

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