Por Carlos Lima

O nosso corpo é sensivelmente 70% água e a água é um elemento fundamental na regulação da temperatura corporal. O calor obriga o corpo a perder água e sais minerais para regular a temperatura corporal através do suor e respiração acelerada. Perder até 2% da água corporal já corresponde a uma desidratação significativa, com alterações no comportamento; perdas até 5% são consideradas graves, com risco de desorientação e perda da capacidade de decisão; mais que 5% corre-se sério risco de vida; 10% significa morte. Estes são aspetos para ter em conta perante temperaturas tão elevadas quanto as que temos assistido nos últimos dias.

O que se tem estado a assistir nos últimos dias são situações extremas em que se devem reforçar todas as medidas de proteção. A direção geral da saúde fala num aumento de mortes no mês de julho, mas ainda não associa a um golpe ou onda de calor [1], mas agosto entrou significativamente mais quente e os riscos de desidratação aumentam significativamente, principalmente entre os grupos mais vulneráveis como é o caso das crianças, dos idosos e das pessoas portadoras de doenças cronicas como diabetes e hipertensão.

A desidratação é caraterizada pela perda de peso, quando existe uma diferença entre a ingestão de líquidos e os líquidos que se perdem. Como já vimos atrás a gravidade aumenta com o aumento da perda de líquidos e sais minerais que estão associados à água, em particular de sódio e potássio.[2]

A sensação de sede é o elo fundamental para estimular a hidratação ou ingestão de líquidos. As crianças muito pequenas são mais vulneráveis porque dependem do adulto para a satisfação desta necessidade. Os idosos são vulneráveis porque já perderam, em grande parte, apetência para a sensação de sede, podendo, tal como as crianças, estar numa situação de dependência. Os doentes crónicos porque têm sistemas alterados de regulação,com desequilíbrios eletrolíticos, ou seja, dos sais minerais, podendo ter muita dificuldade na gestão dos líquidos corporais.

Dito isto, a exposição ao calor gera por si só, riscos elevados de desidratação, pelo que planear uma boa ingestão de líquidos é fundamental. Mesmo á sombra, se não existir ar condicionado, a perda de líquidos pelo suor e pela respiração é constante, pelo que beber líquidos para compensar as perdas também deve ser regular.

A ingestão de líquidos não tem que ser obrigatoriamente água, pode ser através de sumos naturais e chá. O que não deve é ser feita com bebidas alcoólicas, porque aumentam a perda de líquidos pela pele e alteram a sensibilidade do centro de regulação da temperatura corporal. Não deve ser através de líquidos açucarados, porque se vão gerar desequilíbrios hidroeletrolíticos.

Outro aspeto a ter em conta é a ingestão de bebidas extremamente frias ou geladas, principalmente após a exposição ao sol, ou durante os períodos em que as temperaturas são muito elevadas. O corpo concentrou todo o seu esforço na regulação da temperatura pela pele. A ingestão de líquidos extremamente frios vai provocar um arrefecimento brusco a nível central e torna-se perigoso, pois no pescoço existem os vasos sanguíneos (artérias e veias) que irrigam a cabeça e naturalmente o nosso cérebro. Os líquidos gelados são canalizados para a orofaringe e esófago. A proximidade entre estas estruturas e os vasos sanguíneos, desencadeia uma contração dos vasos sanguíneos que levam o sangue para o cérebro e a pessoa morre em segundos. Fenómeno idêntico acontece com os mergulhos em água fria, em que o arrefecimento é tão brusco que mata.

A exposição a altas temperaturas desequilibra a gestão de líquidos no nosso corpo. Os mecanismos de perda de calor são ativados, mas é preciso ajudar o corpo a manter o equilíbrio. A melhor forma de o fazer é através da hidratação.

Proteja-se e hidrate-se… boas férias

Saúde.

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