Por Gustavo Martins-Coelho

Ir de férias é bom, permite relaxar, esquecer os problemas do quotidiano, sejam laborais ou pessoais, reencontrar os pequenos prazeres da vida, conviver mais com os que nos são queridos… Mas também tem os seus riscos! Ir de férias para longe significa encontrar condições climáticas, gastronomia e costumes diferentes daqueles a que estamos habituados e isso pode acarretar riscos para a saúde. Para quem vai de carro, circular nas estradas tem também os seus perigos. Para quem gosta de festivais de música, a eventual propagação de doenças transmissíveis é um aspecto a ter em conta. Nas férias que envolvem actividades aquáticas, seja na praia costeira ou fluvial, ou na piscina, é preciso ter cuidado com os afogamentos, que são uma das principais causas de morte entre as crianças e os jovens. O calor — e o frio, não esquecer as férias no frio — também merecem a adopção de cuidados particulares. Em certos países, ainda hoje é preciso ter cuidado com a água e os alimentos que se ingerem, que podem estar contaminados.

Por isso, hoje, já que estamos em Agosto, vamos ver alguns conselhos da Direcção-Geral da Saúde (DGS) [1], que, embora simples, podem fazer a diferença.

Antes da partida, a DGS recomenda que:

  • Considere a necessidade de adquirir um seguro de saúde;

  • Se viajar para países de maior risco, informe a embaixada ou o consulado da sua ida;

  • Leve os medicamentos habituais e outros para cuidados básicos;

  • Leve um cartão com informação na língua local sobre grupo sanguíneo, doenças crónicas, alergias e medicamentos que esteja a tomar;

  • As mulheres grávidas, as crianças e as pessoas que necessitem de cuidados especiais de saúde consultem o médico, antes de viajar;

  • E vá a uma consulta do viajante.

A consulta do viajante é recomendada a todas as pessoas que viajem para fora da Europa e serve para:

  • Aconselhar os cuidados a ter antes, durante e depois da viagem, incluindo vacinação, medicação preventiva da malária, informação sobre higiene individual, cuidados a ter com a água e os alimentos que se ingerem, assistência médica e segurança no país de destino e farmácia que o viajante deve levar consigo; serve também para avaliar o estado de saúde do viajante;

  • Prestar assistência médica após o regresso, diagnosticar problemas de saúde possivelmente contraídos durante a viagem e para efectuar o controlo periódico de indivíduos que passam temporadas prolongadas em países ou regiões onde o risco de contrair doenças é elevado;

  • Administrar vacinas, incluindo a da febre amarela, e passar o respectivo certificado internacional.

Para além das vacinas administradas na consulta do viajante, também é importante ter as vacinas do Programa Nacional de Vacinação (PNV) actualizadas. No caso dos adultos, não esquecer a vacina contra o tétano e difteria, a cada dez anos. São gratuitas e administradas nos centros de saúde.

Um estojo de viagem deve sempre ser preparado com antecedência e seguir na bagagem de porão, excepto a medicação habitual para doenças crónicas, tais como diabetes e hipertensão, que deve acompanhar o viajante, na bagagem de mão. A DGS disponibiliza, na sua página [2], uma lista de coisas a incluir no estojo de viagem, entre produtos de higiene, material para primeiros socorros e medicamentos.

Nos destinos tropicais, é frequente haver doenças transmitidas pela picada dos insectos, tais como a malária, a dengue e o vírus zica [3]. Para as prevenir, use repelente de insectos, roupa larga de cor clara, camisas de manga comprida e calças compridas, e pernoite em locais protegidos com redes mosquiteiras, ou com ar condicionado, que afugenta os mosquitos e outros insectos.

A diarreia do viajante é uma das principais causas de doença nas férias. A melhor forma de prevenção é ter alguns cuidados em relação ao consumo de água e de alimentos, optando pelos que tenham o menor risco de contaminação:

  • Consumir alimentos frescos, bem cozinhados, na hora e ainda quentes;

  • Evitar alimentos cozinhados que tenham sido deixados à temperatura ambiente durante várias horas;

  • Evitar alimentos crus (p.e. mariscos e saladas), alimentos que contenham ovo cru ou mal cozinhados e saladas de fruta;

  • Se quiser mesmo — mesmo — uma salada, mergulhar os alimentos durante meia hora num recipiente com 5 gotas de lixívia por litro de água;

  • Lavar bem os alimentos e não deixar fora do frigorífico aqueles que devem ser refrigerados;

  • Lavar bem e descascar a fruta;

  • Evitar alimentos adquiridos a vendedores ambulantes;

  • Lavar bem as mãos antes e depois de manusear alimentos e lavar bem os utensílios utilizados na preparação: talheres, tábuas de cozinha, bancadas, etc.

  • Respeitar os prazos de validade dos produtos e acondicionar correctamente os alimentos.

Em relação à água e outras bebidas, as recomendações da DGS são:

  • Beber água engarrafada (com o selo intacto) ou água fervida e usar também água engarrafada ou fervida para preparar sumos, gelo e ainda para escovar os dentes;

  • Consumir apenas produtos lácteos pasteurizados.

Por hoje, ficamos por aqui. Para a semana, veremos mais alguns cuidados a ter, para prevenir acidentes, chegar ao destino confortavelmente e em segurança e regressar tranquilamente ao trabalho.

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