Por João Roncha

  1. Ontem, vi o filme «Une heure de tranquilllité» e, por várias vezes, soltei sonoras gargalhadas. O desempenho dos actores é, na minha opinião, muito bom.
  2. Uma obra de entreter. É uma comédia francesa de bom nível. Soube que foi adaptado, também, para teatro; não há dúvida de que deve ser ainda melhor.
  3. Da autoria de Florian Zeller, com Luchini. Simples e puro, como já não assistíamos há algum tempo na comédia francesa («Les Charlots», 1979), com Zeller no comando do roteiro e do diálogo.
  4. Algumas lacunas a apontar ao filme são os tempos, algo lentos e desconectados, enquanto algumas combinações resultam, consecutiva e simultaneamente, contra o carácter excessivo de retratar uma sociedade pequena-média burguesa  que se encontra a espaços; as suas tendências «De Funès» um pouco excessivas, mas não desagradáveis de todo — enquanto for possível e plausível de se apreciar o humor do tempo «La Soif de l’or», de Gérard Oury, ou «Visitantes», de Jean-Marie Poiré.
  5. Para combater o potencial comercial da obra, Patrice Leconte faz-se acompanhar por um elenco de estrelas: Christian Clavier — com quem trabalha pela quarta vez, depois de três filmes vencedores da palma — concede-se o papel egoísta, originalmente interpretado por Luchini, de um homem muito detestável para o qual não se encontra graça em seus olhos; Carole Bouquet desempenha a sua esposa depressiva; Valérie Bonneton, a amante que alimenta remorso; Rossy de Palma — actriz de origem espanhola, já habituada a este tipo de papéis —, a encantadora, mas sempre assertiva, empregada doméstica.

 

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