Por Carlos Lima

Dia 8 de Setembro foi o dia mundial da alfabetização. Criado pela ONU e promovido pela UNESCO, pretende chamar à atenção para a importância da alfabetização para o desenvolvimento dos países e das populações, sustentando que nos países onde os níveis de alfabetização são mais elevados, existe uma adaptação e readaptação mais rápida a novas realidades socioeconómicas e que a alfabetização se tem mostrado importante no combate à exclusão social.

Quem sabe ler integra, de tal forma, essa realidade que nem pensa na importância que essa competência tem na sua vida. Quando se pensa nisso, tem-se uma sensação de liberdade, como dizia a Presidente da Assembleia da Republica Assunção Esteves, uma sensação de «conseguimento» de algo que nos ajuda a ser mais felizes.

Para o filósofo e educador Paulo Freire, a alfabetização não passa, unicamente, por saber ler e escrever, mas por ler e interpretar. Estudos recentes mostram uma percentagem significativa de estudantes, mesmo de nível universitário, que lêem (no sentido de juntar letras e dizer palavras) mas não sabem interpretar o que lêem.

Outra realidade é a alteração versus adulteração que a linguagem e as línguas estão a sofrer devido à chamada «linguagem do SMS», que cria constantemente novas palavras e abreviaturas que estão a assumir um papel significativo na comunicação.

A alfabetização mostra-se como forma pertinente de educar o cérebro e estimular a aprendizagem. A informação dos «média», não escrita, assume uma forma muito volátil, ou seja, esgota-se no instante e é rapidamente substituída por outra, sem dar tempo para ser trabalhada a nível cerebral. A leitura tem nesse sentido uma capacidade de promover a compreensão, pois pode-se voltar a ler e reinterpretar, ainda que estudos indiquem que quem lê mais rápido interpreta melhor, porque consegue captar a dimensão do todo e não só da frase ou parágrafo.

Saber ler e escrever é também uma forma de estar na vida. A pessoa não fica confinada à simples informação que lhe é oferecida, mas pode procurar mais informação, pode confrontar essa informação e pode criar a partir do que sentiu, viveu e interpretou.

Neste sentido, a alfabetização é também uma forma de melhorar a saúde das populações e dos indivíduos, porque conseguem chegar a mais e melhor informação. Interpretar melhor o seu próprio papel em relação à sua saúde e ao mesmo tempo ter «espírito crítico» sobre a realidade da saúde própria e da comunidade.

Saúde.

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