Por João Roncha

Este fim-de-semana tive a oportunidade de marcar presença na estreia do lançamento do novo filme da dupla siciliana Ficarra e Picone, em plena capital Siciliana, na cidade de Palermo.
O acontecimento teve lugar no cinema Arlecchino e contou com a presença de ilustres convidados e membros do Governo de Palermo, com os quais tive a oportunidade de privar e que muito elogiaram o nosso Portugal e as gentes do Fado.
Voltando ao filme, este retrata uma realidade bem actual. É um filme com uma forte carga política, uma comédia em tons cinzentos, que alerta as pessoas para os perigos das promessas e das campanhas eleitorais não serem ou servirem na perfeição os melhores interesses das pessoas desta cidade — facto que eu tenho vindo a presenciar in loco, desde logo pela quantidade de lixo nas ruas e pela péssima qualidade das estradas.
Apesar de ser uma comédia bem divertida e de arrancar risos fáceis, a meu ver, o enredo do filme, roça o cliché e o facilitismo, disfarçado pelo inegável talento dos dois actores — extensivo ao resto do elenco.
A história baseia-se, sobretudo, no caos e na anarquia e assenta numa evidência: a de que o povo siciliano não aceita regras de convivência civil e de que impera uma certa forma de anarquia e de individualismo latente.
O clero compactua de ânimo leve com este clima generalizado de corrupção activa, perpetuado pelo Governo — saliente-se! — também conivente com as jogadas de poder político e influenciado pelo poder de Roma.
Não obstante tudo isto, foi um filme capaz, na sua hora e meia de duração, de me arrancar algumas gargalhadas, a espaços, pelo talento cómico-visual — sobretudo, de Salvatore Ficarra — e pelo absurdo e ridículo espelhado em algumas das cenas — como a de passear os cães em passo apressado na esperança de que aguentem até casa para fazer as necessidades, ou a confusão gerada pela separação e reciclagem do lixo, às quais os sicilianos não estavam, de todo, habituados.
Nota 5 para «L’ora legale».

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