Por João Roncha

Apenas uma pessoa sem fantasia (incapaz de abstracção) poderia sair deste filme desapontada. «Não inclui personagens gays ou negros o suficiente» foi a crítica da revista norte-americana Empire ao mais recente recordista de nomeações aos Óscares da Academia. Sendo um conto de fadas sobre importantes escolhas humanas contemporâneas, «mascaradas por trás de um campeão de bilheteira populista pipoca» (como Gosling disse), torna-se  ainda mais irónico e engraçado, pois é dos filmes mais superficiais — que, só por acaso, rima com musicais —, ainda que este, na minha opinião, esteja muito distante dos produtores Mel Brooks, ou dos de «Chicago» ou «Moulin Rouge». Pessoalmente, nem aprecio o género, mas reconheço que, nem «La la land» fica lá perto, nem a qualidade de Emma Stone ou Ryan Gosling se pode comparar ao talento de actores como Richard Gere ou Ewan McGregor e actrizes como Catherine Zeta Jones e Nicole Kidman.

Actualmente, nos dias que correm, muitas vezes  temos de  nos expressar de uma qualquer forma para sermos ouvidos, mesmo que tenhamos coisas profundas a dizer. A imprensa é quem melhor vende as suas opiniões inúteis, muito mais do que qualquer um dos próprios criadores do filme.

E este não é um julgamento exacerbado; é uma mera constatação da realidade. Um dos pontos a favor (finalmente!) de não representar um retrocesso consiste em, de repente, se ter tornado no filme mais importado do ano — abrindo, assim, espaço para uma observação mais profunda do que este representa, se é que representa algo mais do que a glorificação de Hollywood. O facto é que este filme não é digno de um musical. Falha em manter a consistência do seu género. O projecto de produção é médio, o foco é suave e bastante sexista na forma como retrata os sacrifícios do casal.

Eu tratá-lo-ia como conscientemente egocentrista e propositadamente melodramático para um kitsch estender — de onde advém a minha alta classificação daquilo que gosto neste tipo de piada na arte.

A melhor parte musical do filme é a sequência de flashbacks no final, onde tudo se compõe esteticamente — só aí lhe posso reconhecer algum mérito.

 Ainda que seja um filme emocional e possa tocar em alguns aspectos de pessoas mais sensíveis, não é nada mais, nada menos do que um «filme campeão de bilheteira populista pipoca», na minha opinião

Hollywood e os Óscares continuam a desapontar-me cada vez mais, ano após ano, pelo que neste nem sequer vou perder o meu sono para acompanhar, como sempre o fiz.

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