Por Carlos Lima

Há livros que nos puxam para dento, que nos agarram na história, que nos envolvem no ritmo e musicalidade de cada palavra, que nos preenchem com vivências simples, mas tão completas que nos sentimos fazer parte deles e ser uma das suas personagens. Há livros que mexem tanto com o nosso imaginário que chegamos a ter dúvidas se estamos a ler, a imaginar e a dar aso à nossa criatividade.

Há na minha vida alguns livros assim:

«A história de um bago de milho» [1] que foi o primeiro livro completo que li, não era grande mas para os meus nove anos, ajudou em muito ao meu gosto pela leitura e à vontade de ouvir histórias e de tentar escrever algumas.

«O meu pé de laranja lima» [2] o livro que me cativou desde a primeira linha e da primeira leitura e é só o livro que mais vezes li. Gosto da história, gosto da forma como está escrito e vivo e vibro com as personagens, com o imaginário das descrições, das vivências que me conduzem muito para além do livro.

Também «O principezinho» [3] é também um livro que gosto muito. Quando o li pela primeira vez, senti-me confuso. Sei que tentava viajar com o principezinho entre os planetas e como era ainda muito jovem embarcava nas suas aventuras construindo as minhas. Quando o voltei a ler tive muita vontade de pôr o meu nome na capa e dizer fui eu que escrevi.

Há pouco tempo encontrei um livro chamado «Vai antes que as raízes sequem» [4] é um livro que se encontra com quem sou, com parte da minha história e que não sendo eu a viver dentro do livro, a história entra por dentro do meu imaginário com uma dose tão grande de realidade, que ainda o estou a terminar, mas já me apetece voltar a ler e sei que o farei brevemente.

Estes são alguns dos livros que lemos por dentro e dentro de nós. Que nos fazem viver uma solidão solidaria com o autor, de quem, pouco mais sabemos que o nome. Claro que existem muitos mais que gostei de ler e como já disse neste programa ler dá saúde. Nos casos dos livros pelo que somos capazes de sentir, ou se quisermos, naquilo que outros são capazes de nos fazer sentir a partir do que escrevem.

Gosto de dizer que leio os livros que me escolhem, porque gosto realmente de ler e tenho pena não conseguir ler muito mais. As histórias que me cativam são as que mais me emocionam e as que não consigo parar de ler. Quando somos transportados para dentro da história, então vale mesmo a pena porque existe interacção com o livro e a emoção coloca-nos muito mais próximo da aprendizagem.

Ler dá saúde, favorece a aprendizagem, o conhecimento e ao mesmo tempo faz-nos tanta companhia na atitude solitária da leitura e permite-nos viajar no tempo sem tempo para parar.Como diz o poeta Alexandre O’Neil «há palavras que nos beijam, como se tivessem boca», ao que acrescento há livros que nos acolhem, que nos escolhem e acariciam a alma.

Saúde.

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