Por Gustavo Martins-Coelho

Como, ontem, foi o dia mundial da diabetes [1] e, como, nas recentes semanas, temos vindo a falar de acupunctura [2, 3, 4, 5, 6, 7, 8], achei que faria sentido, hoje, abrir este espaço, olhando para o papel da acupunctura na diabetes.

Como é sabido, os doentes diabéticos têm o nível de açúcar no sangue elevado. Portanto, para podermos dizer que a acupunctura é eficaz no tratamento da diabetes, ela deveria ser capaz de baixar o nível de açúcar no sangue. Há 16 estudos científicos sobre o assunto — concretamente, sobre electroacupunctura — mas apenas dois destes dezasseis estudos foram feitos em seres humanos e foram em seres humanos normais. O conhecimento está, portanto, numa fase ainda muito incipiente, sendo demasiado cedo para dizer se a acupunctura tem ou não algum efeito no nível de açúcar no sangue dos doentes diabéticos [9].

Porém, a diabetes não é só uma questão de açúcar. Aliás, a relevância patológica da diabetes é, em grande medida, dada pelos efeitos a longo prazo que ela tem em diversos órgãos e tecidos do corpo humano — os nervos, os rins, os olhos, o coração, etc. Então, seria bom que também houvesse estudos que testassem o papel da acupunctura na prevenção dessas complicações a longo prazo.

Existem, de facto, vários ensaios clínicos que analisam o papel da acupunctura na prevenção das complicações neurológicas da diabetes, só que nenhum deles é de boa qualidade científica, pelo que, apesar dos seus resultados até serem positivos [10], não são de confiança [11], o que é uma pena.

Mas, enfim, a acupunctura não foi testada para mais nenhuma complicação da diabetes e, para aquilo que foi estudada, na dúvida, o melhor é continuarmos a usar exclusivamente aquilo que sabemos, para lá de qualquer dúvida, que funciona.

Onde parece que funciona, pelo contrário, é na prostatite crónica. A prostatite é uma inflamação da próstata, que pode ser bastante dolorosa. A acupunctura tem demonstrado capacidade de reduzir a dor e outros sintomas, mais do que o placebo e talvez tanto quanto a medicação, embora ainda sejam necessários mais estudos, para confirmar [12].

Nos zumbidos no ouvido, chamados tinido pelos médicos, ainda não há conclusões. Os nove estudos que existem são contraditórios e de má qualidade: cinco estudos não conseguiram identificar qualquer resultado positivo da acupunctura; dois demonstraram, aparentemente, que a acupunctura funciona melhor do que o placebo; um demonstrou que a acupunctura funciona melhor do que a medicação e outro demonstrou que não [13]. Temos, portanto, de esperar por novidades.

O objecto do dia também está relacionado com a diabetes, embora indirectamente: a amamentação está associada a uma redução do risco de diabetes e o objecto do dia é, pois, a bomba tira-leite, que foi patenteada pela primeira vez em 1854. Era uma bomba manual e ajudou a manter os bebés bem nutridos e a diminuir a ansiedade sobre a falta de leite materno. Em 1925, foi introduzida uma bomba mecânica, mais eficiente e higiénica, e a tecnologia continuou a evoluir, nas décadas posteriores. Mas as bombas tal como as conhecemos, portáteis, que permitem às mulheres a amamentar usá-las no trabalho ou em qualquer lugar, só se vulgarizaram nos anos noventa do século passado, quando o fabricante suíço Medela introduziu, em 1991, o primeiro modelo eléctrico, operado a vácuo, desenhado para ser usado fora do hospital.

Curiosamente, a proporção de mulheres que amamenta os filhos  reduziu-se durante uma grande parte do século XX; mas voltou a subir, desde a introdução da bomba. Nos Estados Unidos, donde sempre provêm estas estatísticas, cerca de 50 % das mulheres amamentavam no final dos anos oitenta do século XX, mas essa percentagem tinha subido para mais de 80 % em 2013.

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