Por Gustavo Martins-Coelho

Na passada Sexta-feira, foi o dia europeu dos antibióticos [1]. Como, ultimamente, tenho falado de acupunctura [2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9], senti uma enorme curiosidade em descobrir o que diz a ciência sobre o papel da acupunctura no tratamento das infecções; e o que a ciência diz é: nada! Não encontrei um único estudo científico a este respeito. Assim sendo, fiquemo-nos pelos antibióticos para tratar as infecções — excepto as infecções causadas por vírus, porque os antibióticos só funcionam em bactérias. Não se tratam gripes e constipações com antibióticos, porque, nestes casos, eles não fazem nada!

Quem também não faz nada — ou, pelo menos, ainda não conseguiu demonstrar inequivocamente que faz — é a acupunctura, nem na dor relacionada com o cancro [10], nem na dor pós-operatória [11], conforme eu já disse no passado [3, 8]. Contudo, noutros tipos de dor, como, por exemplo, na dor dos doentes hemofílicos [12] e na dor de cabeça [13], há estudos que apontam no sentido da sua utilidade; e também da utilidade da acupressão [14]. Mas, como de costume, ainda não estamos perante resultados confirmados para lá de qualquer dúvida…

Também há estudos, veja-se lá, sobre o papel da acupunctura no tratamento da impotência [15] e da ejaculação precoce [15, 16]; e o que eles nos dizem é o habitual: ainda é cedo para tirar conclusões.

A acupunctura é frequentemente apresentada como um tratamento legítimo para a depressão e foi estudada repetidamente, com esse objectivo. Contudo, os resultados são inconclusivos e muito pouco satisfatórios. Os únicos estudos que afirmam que a acupunctura é útil foram feitos na China [17], o que se torna bastante estranho e difícil de explicar: por que é que a acupunctura só consegue provar cientificamente que funciona na China?… Em conclusão, não há dados suficientes para afirmar com certeza que a acupunctura, por si só, funcione. Como nota de rodapé, devo dizer que há um estudo da acupunctura especificamente aplicada a grávidas, que tem o mesmo resultado inconclusivo [18]. Contudo, estudos científicos recentes parecem apontar no sentido de que a acupunctura possa ser usada, com benefício, como complemento da medicação, em doentes deprimidos [19, 20, 21].

A asfixia do bebé durante o parto ocorre, nos países desenvolvidos, em cerca de 1–4 em cada 1.000 nascimentos e pode ter consequências graves, tais como paralisia cerebral ou atraso mental, quando não provoca a morte. O tratamento oferecido pela medicina científica não é o ideal, pelo que alguém se lembrou de propor a acupunctura, como alternativa, mas a verdade é que não há um único estudo sobre o assunto, que possa confirmar ou negar a utilidade da acupunctura neste contexto [22].

Mas voltemos aos antibióticos, para falar do objecto do dia. Para hoje, trago a seringa, que permite salvar vidas, através da administração de antibióticos e doutras medicações intravenosas, bem como de vacinas, e ainda permite colher sangue para análises. Mas a seringa também trouxe riscos, porque a partilha de seringas usadas por utilizadores de drogas ilícitas é um dos grandes culpados da propagação da infecção pelo VIH e doutras doenças infecciosas.

Aliás, a partir do final dos anos oitenta do século passado, o programa de troca de seringas desempenhou um papel vital na resposta de saúde pública à crescente epidemia de sida. O programa não só permitiu às pessoas trocar as suas seringas usadas por novas, mas também educou para a saúde, deu acesso a cuidados de saúde e abriu oportunidades de tratamento adicional.

Os estudos americanos sugerem que um programa tão simples quanto este, além de salvar vidas, poupa dinheiro. Nos EUA, uma seringa custa menos dum dólar, enquanto que o custo de tratar uma pessoa que contraia a infecção pelo VIH aos 35 anos é de mais de $ 325.000.

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