Por Gustavo Martins-Coelho

Falemos mais um pouco de acupunctura. Parece-me importante analisarmos, caso a caso, como tenho feito nas últimas semanas [1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9], o papel da acupunctura, para que não restem dúvidas de que isto não se trata duma questão de fé, ou duma legítima procura de alternativas de tratamento, mas somente duma matéria que é estudada do ponto de vista científico e para a qual a ciência tem uma resposta: a acupunctura, ou funciona, ou não funciona, independentemente de acreditarmos. A ciência tem por função procurar a resposta a essa pergunta — funciona ou não? —, mas, muitas vezes, a resposta não chega imediatamente; é preciso estudar muito o assunto. É assim que acontece com a acupunctura: na maioria dos casos, como temos visto, ainda não há resultados conclusivos. Mas, nos casos em que já há uma resposta, ela é, maioritariamente, negativa — isto é, a acupunctura, em geral, não funciona.

Dito isto, hoje, começo pelos estudos sobre a acupunctura aplicada à gravidez. Na tentativa de engravidar, a acupunctura não ajuda. Quer dizer, não há estudos da acupunctura como adjuvante das tentativas naturais. Mas há estudos da acupunctura como adjuvante da fertilização in-vitro e da microinjecção intracitoplasmática — dois métodos de reprodução medicamente assistida — e esses estudos dizem que a taxa de sucesso de tais métodos com e sem acupunctura é igual [10]. Já no final da gravidez, como método de indução do parto, embora não haja resultados conclusivos, até agora, os estudos existentes indicam a inutilidade da acupunctura nesse domínio [11].

Falo agora um pouco de cancro da mama, para dizer que há sinais positivos relativamente ao papel da acupunctura no tratamento dum tipo específico de dor articular, que é induzida pelo tratamento hormonal do cancro da mama. Contudo, ainda é cedo para recomendar, sem margem para dúvida, a acupunctura neste contexto, sendo necessário completar a análise científica do assunto [12, 13].

Na semana passada, o objecto do dia foi a seringa [9]. Disse eu, a propósito de tal objecto, «que permite salvar vidas, através da administração de antibióticos e doutras medicações intravenosas, bem como de vacinas, e ainda permite colher sangue para análises», mas que «também trouxe riscos, porque a partilha de seringas usadas por utilizadores de drogas ilícitas é um dos grandes culpados da propagação da infecção pelo VIH e doutras doenças infecciosas».

Então, na sequência disso, hoje, o teste do VIH é o objecto do dia; e comecemos por um pouco de história. Em 1981, os Centros para a Prevenção e Controlo de Doenças dos EUA atribuíram a morte de cinco homens em Los Angeles a uma infecção pulmonar rara, causada por uma doença não identificada. Demorou vários anos, até que essa causa fosse identificada; veio-se a chamar-lhe vírus da imunodeficiência humana, ou VIH; e a doença correspondente foi designada síndroma da imunodeficiência adquirida, ou SIDA. Desde então, nos últimos 35 anos, morreram cerca de 35 milhões de pessoas com VIH e foram infectados setenta milhões, o que torna esta uma das piores epidemias de que há registo na História.

Em 1985, o lançamento do primeiro teste para o VIH foi um grande avanço médico e uma vitória dos activistas que lutaram por mais financiamento para a investigação científica na área da SIDA.

Entretanto, com a melhoria do tratamento, fazer o teste passou a significar aumentar a probabilidade de sobreviver. Hoje em dia, fazer o teste do VIH permite às pessoas, particularmente aquelas que pertencem a grupos de risco, como sejam os homens que têm sexo com homens e os utilizadores de drogas que partilham seringas, conhecer o seu estado de saúde a este respeito e procurar tratamento, se necessário. Mesmo assim, continuam a morrer mais de um milhão de pessoas por ano por causa da SIDA, no mundo inteiro, o que só pode significar que ainda temos um longo caminho a percorrer.

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