Por Carlos Lima

«Comportamento de risco é um comportamento que pode ter consequências inesperadas» [1]. Alguns podem não deixar consequências mas outros podem pôr em causa a saúde física e psicológica ou levar mesmo à morte. Assim acontece com os comportamentos de risco que podem levar a pessoa à infecção com o VIH (Vírus da Imunodeficiência Adquirida).

Apesar de se falar de VIH/SIDA desde os anos oitenta do seculo passado, há muita gente centrada na questão dos grupos de risco (homossexuais e toxicodependentes), quando devia prestar atenção aos comportamentos ou atitudes de risco (relações sexuais desprotegidas e contactos com sangue).

Falar de grupos de risco é «esconder o sol com a peneira», ou seja, pensamos que nunca nos vai acontecer porque não fazemos parte desses grupos. Vejamos as estatísticas em Portugal: O grupo de pessoas mais afectadas são os heterossexuais [2]. Onde está o grupo de risco? Só há um grupo de risco, os que assumem comportamentos de risco.

É preciso deixar bem claros que existem três formas de transmissão do VIH:

  • Contacto com fluidos sexuais infectados (esperma e outros fluidos lubrificantes produzidos pela pessoa, entre os quais os fluidos vaginais).
  • Contactos com sangue infetado
  • E transmissão mãe/filho, in útero ou através do leite materno.

Ora são comportamentos de risco para a transmissão do VIH:

  • Relações sexuais desprotegidas
  • Contactos com sangue, de entre os quais se destaca a partilha de seringas, mas não se podem esquecer a partilha de objetos pessoais e o material com que são colocados os pírcingues e se fazem as tatuagens, que devem ser sempre esterilizados e descartáveis).
  • Naturalmente a gravidez na pessoa infectada, mas ainda assim e se devidamente controlada o risco é mais reduzido [3] e a amamentação, que nos países desenvolvidos este não chega a ser um problema, pois existem alternativas ao leite materno, o mesmo não se pode dizer na África Subsariana.

A detecção de novos casos de infecção em Portugal têm vindo a aumentar ao nível dos mais jovens e penso estar relacionado com a diminuição dos alertas preventivos (hoje não se vêem anúncios nas televisões de prevenção do VIH/SIDA, mas vêem-se muitos anúncios a apelar a comportamentos sexuais de risco). Também o debate sobre a interrupção voluntária da gravidez desfocou o discurso, ou seja, a gravidez só existe se houver quebras das normas de segurança sexual ou comportamentos de risco, mas não pretendo aqui questionar as leis que regem o aborto. Por último, quem trabalha na prevenção sabe que os jovens precisam ser lembrados com regularidade.

Outro motivo está relacionado com a eficácia terapêutica que transformou uma doença potencialmente mortal numa doença crónica, mas para que a evolução assim seja, é importante a detecção precoce. As estatísticas provam que os novos casos de VIH/SIDA são detectados cinco ou mais anos a pós a transmissão.

Como nota final queria deixar claro que a SIDA/VIH existe, que a transmissão é feita de pessoa para pessoa através dos contactos com fluidos sexuais e sangue e transmissão mãe filho. A única forma de não ficar infectado é não assumir comportamentos de risco.

Saúde

[4]relatório

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