Por Carlos Lima

Todos os dias ao longo da nossa vida temos que tomar várias decisões, fazer escolhas. Umas parecem naturais e fáceis, até parece que não exigem pensar, outras são complexas, difíceis e obrigam-nos a muita ponderação. Depois e associado a cada decisão há sempre um caminho, uma consequência seja ela positiva ou negativa na nossa vida.

Somos as decisões que tomamos ao longo da vida, as nossas escolhas são aquilo que oferecemos a nós próprios. Mas as decisões não são tomadas de igual forma ao longo de todas a vida. Até cerca dos seis anos temos medos mas não temos uma consciência clara do risco, não temos uma noção muito clara de futuro, logo as leituras em termos futuros praticamente não existem. Mas mesmo nessas idades temos que tomar decisões, só que elas parecem tão naturais que nem questionamos. Se pensarmos um pouco, a criança toma decisões difíceis, com uma ponderação tão apurada que nos surpreende, mas é extremamente influenciada pelo meio onde é criada, seja a família, seja a escola, entre outros meios em que a criança interage. Fundamental aqui é que ela baseia a sua decisão nas suas vivências.

Mais tarde e quando adultos as decisões são habitualmente mais ponderadas em termos de consequências. Segundo Bazerman «A tomada de decisão é uma acção humana e comportamental. Esta envolve a selecção, consciente ou inconsciente, de determinadas informações e acções». Seguindo esta ideia, a tomada de decisão continua na vida adulta a basear-se no que somos e o que somo é um conjunto de saberes que as nossas decisões anteriores nos ajudaram a ter.

O processo de tomada de decisão está muito bem estudado no que diz respeito às organizações e naturalmente tem sempre uma tradução na decisão individual da pessoa que somos. Claro que a existência em sociedade nos coloca desafios e influencia a tomada de decisão. Para Chiavenato «a pessoa decide em função de sua percepção das situações»[1].

As decisões podem ser mais ou menos elaboradas, podem ser racionais ou intuitivas, ou mesmo usar as duas características, como nos diz Maximiliano «a racionalidade e a intuição são atributos humanos complementares e não concorrentes» [2].

Decidir é fazer escolhas, mas a decisão não é o fim em si, a importância da escolha centra-se no objectivo ou resultado que pretendemos atingir e aqui há também características pessoais que influenciam a decisão. Muitas pessoas planeiam pouco e agem muito, outras planeiam muito e agem pouco, parecendo viver constantemente na incerteza, ainda que uma dose de incerteza funcione como mecanismo de activação para a tomada de decisão.

Também os factores psicológicos como motivação, crença, aprendizagem, necessidade e a nossa percepção, entre outros, influenciam as nossas decisões [3].

As nossas decisões em saúde também implicam uma boa dose de racionalidade e são influenciadas pelos factores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais. Ter consciência da bondade da decisão pode fazer toda a diferença para uma melhor saúde.

Como vimos as decisões dependem dos nossos saberes e das nossas experiências, treinar a tomada de decisão em contexto faz-nos mais capazes de agir de forma adequada.

Lembre-se que a não decisão já é uma decisão, mas que a saúde é a sua, pelo que decidir não decidir deixa-o inevitavelmente à mercê das decisões de terceiros.

Cuide-se, procurando saber mais para tomar melhores decisões.

Saúde

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