Por Gustavo Martins-Coelho

O primeiro de Dezembro é o dia da restauração da independência. Por motivo de férias do autor — isto é, eu — não houve crónica na semana passada e, portanto, não pude falar da data. Hoje, concedo que já vem pouco a propósito, mas lá diz o ditado que mais vale tarde do que nunca.

A propósito da restauração da independência, acho bastante curioso que o Rei de Espanha tenha por cá andado em visita oficial até à véspera do dia em que defenestrámos o seu representante, há 376 anos… Mas do que eu quero mesmo falar é do dia mundial de luta contra a SIDA, que calha, também, no dia 1 de Dezembro.

Dando continuidade ao prato forte — a acupunctura [1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10] — fui pesquisar o que diz a ciência sobre a acupunctura e a SIDA; e a ciência nada diz: não há um único estudo sobre o valor da acupunctura no campo da infecção pelo VIH. Como seria de esperar, diria eu.

Passemos à reabilitação após um acidente vascular cerebral: os estudos disponíveis indicam que talvez a acupunctura tenha efeitos benéficos na redução da dependência de terceiros, dos défices neurológicos globais e dalgumas limitações neurológicas específicas, na fase de convalescença após um AVC, sem efeitos adversos graves. Contudo, os estudos em que se baseia essa afirmação são inadequados, do ponto de vista científico, pelo que não se pode deduzir uma conclusão segura, que justifique a aplicação da acupunctura a estes doentes. É preciso estudar melhor o assunto [11].

Onde também é preciso estudar melhor o papel da acupunctura, já que falamos de lesões neurológicas, é nas lesões da medula espinhal. A análise dos estudos existentes demonstrou um possível efeito favorável na recuperação neurológica, do movimento e funcional. Porém, estamos, como já vem sendo hábito, a falar de estudos fraquinhos, do ponto de vista científico, pelo que esta afirmação não é, de forma alguma, definitiva [12].

Entretanto, na rinite alérgia, a acupunctura tem demonstrado ser eficaz [13], tanto isoladamente, como em complemento da medicação usualmente prescrita [14]. Resta saber se será mais ou menos eficaz do que a medicação, para poder ser usada em substituição desta [15], e resta também saber qual a melhor forma de aplicação: com emplastros [14], com um material semelhante ao que se usa nas cordas dos violinos e outros instrumentos do mesmo naipe [16], ou sob a forma de moxabustão [17].

No caso da paralisia e dos espasmos faciais, os estudos apontam no sentido de que a acupunctura seja eficaz e até mais eficaz do que os tratamentos habituais. Contudo, ainda é cedo para extrair uma conclusão definitiva, devido à fraca qualidade metodológica dos estudos em questão [18, 19, 20, 21].

Então, para acabar — se, há quinze dias, o objecto do dia foi o teste do VIH, hoje mantemo-nos no tópico, tendo em conta a efeméride do dia 1 de Dezembro, e tomamos como objecto do dia o preservativo. A I Grande Guerra popularizou o uso do preservativo, como método de prevenção da propagação de infecções de transmissão sexual. O Reino Unido e a Alemanha davam preservativos aos seus soldados. Os EUA não. O resultado foi a passagem à reserva de mais de 10.000 soldados norte-americanos, por terem uma infecção sexualmente transmissível. Os primeiros preservativos eram bastante rudimentares, mas, nos anos vinte — os loucos anos vinte — do século passado, o uso do látex revolucionou o fabrico de preservativos, tornando-os mais confortáveis e baratos. Se usados correctamente, os preservativos servem não só para prevenir uma gravidez indesejada, mas também — e sobretudo — para reduzir o risco de transmissão de infecções, tais como herpes genital, papiloma humano, clamídia e o VIH.

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