Por Gustavo Martins-Coelho

Exercício físico: juntamente com uma alimentação saudável [1], são o alfa e o ómega dum estilo de vida saudável. Então, alguém se lembrou de estudar se a acupunctura melhorava o desempenho durante o exercício físico, ou facilitava a recuperação, após exercício físico extenuante, e encontrou resultados promissores, mas insuficientes para fazer uma recomendação, sobretudo devido às limitações metodológicas dos ensaios científicos realizados [2].

Além do exercício físico e da alimentação saudável, outra coisa que também ajuda muito a manter a saúde em bom estado é não fumar [3]. Para ajudar os fumadores a deixarem o vício, todos os tratamentos não são demais, pelo que combinar acupunctura com outro tipo de intervenções não é uma má forma de ajudar os fumadores a deixarem de fumar e de prevenir a recaída [4]. Mesmo que seja só pelo efeito psicológico, porque, embora os estudos sugiram possíveis efeitos de curto prazo da acupunctura [5, 6], superiores ao placebo e equivalentes a outro tipo de tratamentos [6], a verdade é que não há dados consistentes e com qualidade científica que apontem inequivocamente no sentido de que esse efeito dure mais de seis meses — e, mesmo para prazos mais curtos, não se podem tirar conclusões firmes dos estudos [5, 6]. Aliás, a única conclusão indubitável, no presente, é que a electroestimulação não tem utilidade na cessação tabágica [5].

Mudando de assunto, as doenças cardiovasculares são um dos principais problemas de saúde da população portuguesa (e não só) [7]. A acupunctura também já foi testada neste campo. Relativamente à angina de peito, a acupunctura, se tiver algum efeito — o que não está demonstrado, devido à falta de qualidade científica dos estudos sobre o tema [8] — se tiver algum efeito, será menor do que o da medicação habitualmente usada [9] e será somente na prevenção, a longo prazo, de descompensações, não no tratamento duma crise aguda, muito menos dum enfarte [10].

Onde ter vasos sanguíneos saudáveis também é importante é no cérebro; muitos casos de demência são devidos à falta de irrigação cerebral adequada [11]. Há doze estudos que analisaram se a acupunctura melhorava a irrigação cerebral e chegaram à conclusão de que sim, mas são estudos tão fracos, do ponto de vista científico, que é como se não existissem [12]

Também já foi experimentada a acupunctura no tratamento da parotidite, também conhecida por papeira, num único estudo, ainda por cima com grandes limitações, em termos da qualidade do método utilizado. Claramente insuficiente, portanto. Ainda assim, esse único estudo apontou no sentido de que a acupunctura fosse mais eficaz do que o tratamento convencional, mas demorasse mais tempo a fazer efeito [13].

Há muitas formas de surdez. Numa delas, designada medicamente como hipoacusia neurossensorial, a acupunctura pode melhorar os resultados do tratamento convencional, se for feita em conjunto com este. Contudo, estamos a falar de resultados de estudos com amostras pequenas e com elevado risco de erro [14].

O objecto do dia tem andado, ultimamente, pelo mundo automóvel: foi a gasolina com chumbo [15] primeiro e o catalisador [16] depois. Então, na mesma senda, falemos hoje do automóvel propriamente dito!

O automóvel revolucionou os transportes e faz parte da sociedade moderna. Mas, quase desde o início, também desencadeou um sem-número de preocupações no âmbito da saúde pública, desde os acidentes de viação à poluição atmosférica, passando pelos atropelamentos. As vidas das pessoas relacionam-se com o automóvel de formas inesperadas. Por exemplo, uma melhoria na situação económica dum país pode fazer aumentar o número de acidentes de viação e, por consequência, o de vítimas mortais. A queda do preço do petróleo, associada ao aumento do emprego, significa mais pessoas na estrada, o que significa ruas, avenidas e auto-estradas mais congestionadas e, portanto, maior probabilidade de acidentes e de acidentes com vítimas mortais.

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