Por Carlos Lima (com Rita Sousa)

Carlos Lima – Para si que tem um idoso em casa, ou que cuida de pessoas dependentes ou acamadas, a prevenção das ulceras de pressão é muito importante.

Rita Sousa – As úlceras por pressão podem ser definas como lesões localizadas na pele e/ou no tecido subjacente, normalmente sobre uma proeminência óssea, como resultado da pressão ou de uma combinação entre este e as forças de torção. Consoante o seu estado de evolução, esta feridas podem ser classificadas em quatro grandes grupos: grau I ou eritema não branqueável, grau II ou perda parcial da espessura da pele, grau III ou perda total da espessura da pele e por último grau IV ou perda total da espessura dos tecidos.

No sentido de se trabalhar ao nível da prevenção deste tipo de feridas torna-se essencial ter conhecimento dos seus factores de risco e como fazer uma avaliação fidedigna do risco associado a cada individuo. Deste modo, como principais factores de risco podemos destacar a diminuição da mobilidade (indivíduos acamados, confinados a cadeira de rodas), diminuição da perfusão e da oxigenação, estado nutricional deficitário, aumento da humidade da pele, aumento da temperatura corporal, idade avançada, diminuição da percepção sensorial. É então essencial fazer uma inspecção regular da pele no sentido de fazer uma detecção precoce. Os parâmetros a ter em conta durante a inspecção da pele são a presença de edema, alteração na consistência do tecido relativamente ao tecido circundante e a temperatura da pele.

Apesar de parecer que esta é uma problemática inerente a todos os indivíduos com diminuição da mobilidade existem diversas medidas preventivas que devem ser adoptadas quer por estes indivíduos quer pelos seus cuidadores. Desta forma é essencial realizar avaliações frequentes da pele (mais de duas vezes por dia), evitar posicionar o individuo numa superfície corporal que esteja ruborizada, recorrer à utilização de almofadas no sentido de aliviar zonas de pressão, manter a pele limpa e seca recorrendo a produtos de limpeza com um pH equilibrado, não massajar nem esfregar vigorosamente a pele que esteja em risco de desenvolver uma úlcera por pressão, desenvolver e implementar um plano para o tratamento da incontinência e proteger a pele da exposição à humidade excessiva recorrendo à utilização de produtos barreira de forma a levar à diminuição do risco (UAP, EPUAP, PPPIA, 2014).

Carlos Lima – Muito obrigado à Rita pela sua abordagem completa e pertinente, mas deixem que reforce que as ulceras de pressão aparecem essencialmente nos sítios onde os ossos são mais salientes ou proeminências ósseas e aparecem quando as pessoas estão imóveis  durante muito tempo e a exercer pressão nesse local, portanto manter o idoso activo e incentivá-lo a mexer-se é absolutamente fundamental. Caso não seja possível, é preciso que o cuidador faça essa mobilização.

Saúde

 

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