Por Carlos Lima

Nos dias que correm, as pessoas colocam sobre a actividade ou prática desportiva uma carga psicológica muito elevada, ao atribuir-lhe uma importância fundamental para a saúde ou para a competição.

Quando falamos da importância que atribuem para a saúde tornou-se uma religião, em que se interrompem trabalhos, se deixam conversas, se esquecem os filhos, os pais, os amigos e «por aí fora», só para se ir ao que os brasileiros chamam de «malhação». É esta intransigência com a actividade física que me não parece muito saudável ou mesmo contrária ao objectivo que se pretende, ou seja, a busca do bem-estar.

É verdade que o exercício para ser eficaz deve ser regular, ter uma frequência de pelo menos três vezes por semana, mas deve ser diversificado e promover alguma liberdade mental e não ser um «castigo» para o corpo.

Já no que concerne à competição, temos muita gente que se entrega aos interesses da competição sem precaver a saúde. Ao nível da alta competição já são disponibilizados aos atletas mecanismos exaustivos de controle, com monitorizações e vigilância apurada por técnicos qualificados, com utilização da alimentação de forma equilibrada para salvaguardas as necessidades fisiológicas dos atletas. Fazem com regularidade estudos da capacidade de recuperação, das necessidades de repouso entre outros. Diria que o controle vai muito para além do que seria razoável para um ser humano. Mas, alguns atletas valem milhões e têm que render milhões a quem lhes paga, ou eles, querem render mais para que lhes paguem ainda melhor. Depois, e em funções dos milhões que ganham, os adeptos querem sempre mais… . O que me preocupa são aqueles atletas sem retaguarda que começam a tentar resultados sem qualquer estudo prévio, com metodologias de treino que comprometem, a médio prazo, a sua saúde.

Quer na situação da competição, quer na situação da «malhação» «o corpo é que paga» como diz António Variações, e paga sempre. O corpo humano tem uma grande capacidade de adaptação aos estímulos significativos e continuados no tempo, mas não é possível melhorar «ad eternum».  Chega-se ao momento em que é preciso reconhecer que se atingiu o limite, e esse limite, sobe habitualmente até certa idade, depois estabiliza e por fim decai com a idade e por razões fisiológicas. Ouvia ontem, numa rádio, dito por um fisioterapeuta que os atletas da classe «master» de um determinado clube, tinham muito mais lesões que os atletas da competição regular. Que o seu papel era principalmente reeducar os atletas para as suas reais capacidades e ajuda-los a reconhece-las, pois mentalmente envolvem-se de tal maneira que querem fazer o que sempre fizeram na competições regular.

Para mim, quem pratica desporto ou actividade desportiva de manutenção, deve ter algum tipo de acompanhamento para que em determinado momento seja chamado à razão. Alguém que conheça o processo evolutivo da pessoa e a aconselhe de forma a respeitar as suas reais capacidades, para evitar desequilíbrios e lesões. A máquina humana tem mecanismos de recuperação incluídos, mas é preciso saber respeita-los e dar-lhes tempo para que sejam efectivos.

Esta ideia de fazer desporto por desporto, mesmo participar em algumas competições por desporto, como algo que nos ajuda a manter a nossa saúde, o nosso bem-estar, a compreender os nossos limites faz todo o sentido.

Anúncios