Por Carlos Lima ( c/ Daniela Martins)

Carlos Lima – Com a colaboração da Daniela Martins

Daniela Martins – O envelhecimento é muitas vezes pintado com cores sombrias, quer pelos mais novos como pelas próprias pessoas idosas.

Cada pessoa tem uma velhice singular, mas muitos são os estereótipos que se agregam em torno deste conceito.

Carlos Lima – Daniela o que é um estereótipo?

Daniela Martins – Estereótipo é caracterizado por uma crença que normalmente é negativa, baseada numa característica inexistente ou rara, sendo categoricamente atribuída a todos os membros de um grupo particular. Estes estereótipos revelam o predomínio de uma imagem negativa acerca do envelhecimento e das pessoas idosas, sendo que estes negam a enorme heterogeneidade que caracteriza o processo do envelhecimento.

Carlos Lima – Porquê que todas as pessoas desejam chegar à velhice, mas olham para a velhice de uma forma negativa?

Daniela Martins – Todas as pessoas desejam chegar à velhice, contudo nem sempre é fácil devido aos estereótipos que circulam, apontando-os como doentes, dependentes, conservadores, assexuados, entre outros.

Muitas vezes os estereótipos que existem estão associados ao desconhecimento do processo de envelhecimento e que pode influenciar a forma como os indivíduos interagem com as pessoas idosas. Por outro lado, causa também perturbações nas pessoas idosas, uma vez que elas próprias acabam por negar este processo e as impede de reconhecer as suas potencialidades, de procurar soluções precisas para os seus problemas e de encontrar medidas adequadas.

As pessoas idosas são também muitas vezes alvo do ageism (idadismo).

Carlos Lima – Ageism, o que é isso?

Daniela Martins – O Ageism é caracterizado pelo preconceito ou discriminação com base na idade cronológica, levando à sistemática discriminação e estereotipagem das pessoas idosas pelo simples facto de serem cronologicamente velhas. As pessoas idosas são frequentemente caracterizadas como «frágeis», «chatas» e «senis».

Carlos Lima – Qual o papel do Gerontológo para mudar comportamentos sobre a velhice?

Daniela Martins – O Gerontólogo, profissional responsável pela promoção da saúde, qualidade de vida e bem-estar da pessoa idosa, tem competências para intervir na capacitação dos profissionais e da sociedade em geral, tendo assim um papel muito importante, uma vez que tem uma visão mais alargada sobre o envelhecimento. Assim deverá alertar os cuidadores e a comunidade que apesar de com o avançar da idade algumas capacidades se deteriorarem, outras mantém-se estáveis. Devemos também intervir na promoção da imagem da pessoa idosa, do elevado potencial da contribuição das pessoas idosas como membros de uma sociedade, destacando os seus valores, a sua experiência de vida e a sua sabedoria, da promoção dos benefícios de uma saudável relação entre gerações e do espírito de solidariedade entre as mesmas.

«Não se lamente por envelhecer. É um privilégio negado a muitos».

Carlos Lima – Muito obrigado à Daniela

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