Por Gustavo Martins-Coelho

Depois duma pausa narrativa, por ocasião do dia dos namorados, em que aproveitei para dar a conhecer a bioquímica do amor [1], regresso à acupunctura.

Começo por dizer que há estudos que sugerem que a acupunctura possa ajudar a reduzir a resistência à insulina [2], que é a precursora dum dos tipos de diabetes. Mas, como já disse numa crónica anterior [3], é ainda demasiado cedo para dizer se a acupunctura tem ou não algum efeito no nível de açúcar no sangue dos doentes diabéticos, tendo em conta o estado actual do conhecimento; e, acima de tudo, é demasiado cedo para dizer se a acupunctura previne as complicações da diabetes.

Há também alguns dados que apontam no sentido de que a acupunctura possa ajudar a aliviar os estados emocionais negativos associados à menstruação — a síndroma pré-menstrual, portanto — mas trata-se de estudos limitados e ainda não confirmados [4].

No campo da saúde mental, a acupunctura tem sido usada tradicionalmente, na China e noutros países do Leste asiático, para tratar a ansiedade, a insónia, o estresse e a depressão; e têm sido realizados estudos sobre os sistemas neurobiológicos que poderão estar por trás da resposta a esses tratamentos, incluindo a serotonina [5], a noradrenalina [6], a dopamina [7], o GABA [8] e a resposta inflamatória [9], mas a interpretação dos resultados é difícil, por várias razões. Em primeiro lugar, a própria biologia das doenças psiquiátricas não está bem esclarecida. Por outro lado, nas experiências usam-se animais, pelo que as observações podem não ser reprodutíveis nos seres humanos. Finalmente, os tratamentos da acupunctura não são padronizados, dependendo da prática individual e da teoria utilizada como fundamento dessa prática. Por este motivo, as descobertas mais promissoras requerem investigação e confirmação adicional, antes de poderem ser incorporadas na prática médica [10].

Portanto, tal como eu dizia, embora seja necessária mais investigação sobre o assunto, há resultados promissores nos estudos científicos da acupunctura no campo da saúde mental. E que resultados promissores são esses? A acupunctura parece ser eficaz no tratamento das dores de cabeça [11] e também na ansiedade [12, 13], perturbações do sono [12, 14, 15, 16], depressão [12, 16, 17] e dor crónica [18, 19, 20, 21, 22, 23]. Pelo contrário, não demonstrou trazer qualquer benefício de monta no tratamento da toxicodependência [23], excepto no caso das anfetaminas [22]. Por outro lado, não há estudos que confirmem se a acupuntura é um tratamento válido do estresse pós-traumático [23, 24], da disfunção sexual, da fadiga e das dificuldades cognitivas [23].

Antes de terminar por hoje, vou falar do objecto do dia: ainda na área da segurança rodoviária, mas já não na área da segurança automóvel, hoje trago a lume o semáforo. O aumento do tráfego automóvel no início do século XX gerou a necessidade dum método de diminuir a congestão nos cruzamentos e também de prevenir as colisões nesses mesmos locais. A ideia dum semáforo já existia desde o século XIX, tendo o primeiro sido instalado em Londres, em 1868, mas foi em 1920 que foi instalado o primeiro semáforo eléctrico com o código de cores verde-amarelo-vermelho que conhecemos hoje.

Hoje em dia, aliás, os semáforos são uma presença habitual em muitos cruzamentos dos países de elevado rendimento e têm sido modernizados, no sentido de melhorar a segurança dos peões. Por exemplo, já existem semáforos com contador do tempo que falta para ficar vermelho, que permite aos peões avaliarem se ainda têm tempo de atravessar a estrada. Já só falta os peões aprenderem a não atravessar a rua com o semáforo vermelho…

Nos países de baixo rendimento, há muito menos semáforos e, curiosamente ou não, o número de mortos na estrada está a aumentar e prevê-se que venha a triplicar até 2030.

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