Por Carlos Lima

É do conhecimento de todos que as crianças tem necessidades alimentares diferentes dos adultos, principalmente na quantidade, quer de alimentos, quer de alguns nutrientes específicos, como é, por exemplo, o caso do cálcio, pois está numa fase de formação óssea.

É importante que a distribuição dos alimentos, em termos de roda dos alimentos, se mantenha, devendo respeitar-se as porções de cada grupo, ou seja, a roda dos alimentos é o instrumento de referência para ter uma alimentação variada e equilibrada ao longo de todo o ciclo de vida.

Verificamos ao longo do trabalho que temos vindo a desenvolver com as escolas, que existem muitas crianças com hábitos alimentares muito desequilibrados. Estes desequilíbrios passam por:

– Não consumirem alguns alimentos ou grupos de alimentos, porque não gostam e isso é grave quando falamos de legumes, fruta ou lacticínios.

– Consumirem demasiados alimentos que nem estão incluídos na roda por serem de consumo ocasional ou se estão, estão em pequenas porções.

– Consumirem muitos alimentos ricos em açúcar, gordura e sal.

Sabemos que as crianças têm gostos e características próprias e que isso faz com que cada criança seja um casos especifico e individual, mas não podemos deixar de fora a responsabilidade dos pais e educadores, porque são eles que têm que educar para os sabores. Porque são eles que fazem as compras e deixam a crianças estreitar a faixa de alimentos que consome, olhando muitas vezes para a facilidade com que a criança adere ao consumo de determinados alimentos, ou à facilidade com que são acomodados numa lancheira, em detrimento da qualidade e variedade.

Todos sabemos que o mundo corre a uma velocidade muito louca, que a exigência do trabalho e dos horários é avassaladora e que resta muito pouco tempo para dedicar a refeições, com birras e insistências determinadas para que mais tarde a criança adira, mas é esta a altura para serem exigentes com as crianças e mostrar uma determinação muito grande, porque poucos são os que ao apresentarem algo de diferente não ouvem da criança a frase «não gosto», mesmo sem experimentar.

Lembre-se que a criança aprende imenso com a alimentação e com a educação para os novos sabores, ao ponto de estar documentado que as crianças que gostam de experimentar novos sabores, têm mais iniciativa, são mais abertas socialmente e desenvolvem mais facilmente a fala.

As crianças com uma alimentação variada e equilibrada e bem distribuída ao longo do dia, são crianças que conseguem manter os níveis de concentração muito elevados e conseguem uma elevada performance física. Uma criança que não toma o pequeno-almoço é uma criança que vai andar em desequilíbrio ao longo do dia [1].

As crianças com uma alimentação variada e equilibrada também apresentam menos problemas de saúde e tornam-se jovens e adultos mais saudáveis.

Poderia dizer muito mais coisas, falar de um conjunto de regras alimentares para facilitar a vida aos pais, mas sei que raramente isso resulta. Apetece-me, no entanto, pedir aos pais e educadores para colarem uma roda dos alimentos na porta do frigorífico, na porta da dispensa e fazer a lista de compras numa folha com a roda dos alimentos como fundo, para que as compras alimentares sejam efectuadas segundo a roda dos alimentos, talvez assim resulte.

Saúde

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