Por Gustavo Martins-Coelho

A auriculoterapia consiste no tratamento de diversas perturbações através da estimulação de vários pontos dos pavilhões auriculares. É baseada nas práticas históricas de acupunctura auricular, mas pode recorrer a outras formas de estimulação, nomeadamente magnéticas [1].

No tratamento da dor, os estudos existentes indicam que a auriculoterapia é capaz de controlar a intensidade da dor crónica, mas, dada a sua falta de qualidade científica, não é seguro avançar com esse tipo de tratamento, sem antes estudar melhor o assunto [2].

Resultados iguais têm os estudos sobre a insónia: apesar do efeito positivo detectado para a auriculoterapia pelos estudos existentes, a sua falta de qualidade científica e a reduzida dimensão das amostras utilizadas tornam-nos insuficientes para justificar a recomendação da auriculoterapia no tratamento da insónia [3, 4, 5].

A auriculoterapia também já foi testada como auxiliar das pessoas que pretendem deixar de fumar, com resultados não muito diferentes: estudos de baixa qualidade científica e pequena dimensão apontam no sentido de que a auriculoterapia seja tão eficaz quanto a intervenção comportamental, mas são insuficientes para retirar uma conclusão definitiva e, portanto, permitir a sua recomendação a quem pretenda deixar de fumar [6].

Finalmente, existem também estudos sobre o papel da auriculoterapia na prisão de ventre. Confesso que, quando estudei isto, não pude evitar um sorriso: estimular as orelhas, para fazer o intestino funcionar pareceu-me uma ideia sui generis. Como não podia deixar de ser, os resultados são os do costume: parece que funciona, mas os estudos são fracos e pequenos, pelo que insuficientes para garantir que isso é verdade [7].

Em relação à auriculoterapia, ficamos por aqui, com esta mensagem chave: não está provado que funcione. Para a semana, vamos falar de saúde holística.

Por hoje, é tempo de falar do objecto do dia. Para hoje, ainda no sector automóvel, trago o camião do lixo. Desde o final do século XIX que existem camiões do lixo, embora não em Portugal. Estes veículos desempenham um papel importante na eliminação dos nossos resíduos.

Até à invenção dos veículos a motor, o lixo era geralmente deitado fora  em locais próximos dos sítios onde as pessoas faziam a sua vida quotidiana: despejados nos esgotos (nos sítios onde os havia), acumulados nas ruas ou atirados para os rios. Contudo, o crescimento populacional permitido pela revolução agrícola e pela revolução industrial gerou preocupação com a saúde pública, que era posta em causa pelo aumento da quantidade de lixo produzida e deixada, como disse, pelas ruas e sítios próximos das casas das pessoas. Isso fez com que as autoridades começassem a procurar alternativas na gestão dos resíduos.

Os primeiros camiões do lixo eram puxados a cavalos, mas, a partir de 1918, nos EUA, estes foram sendo substituídos por camiões. Em 1938, foi patenteado o primeiro camião do lixo com compressor hidráulico. Essa inovação permitiu aos camiões levar mais resíduos do que até então e levá-los para lixeiras e aterros mais distantes. Desde essa altura, a inovação tecnológica permitiu aos camiões levarem cada vez mais lixo, o que é uma coisa boa, porque produzimos cada vez mais lixo: cada português, segundo o INE, produz anualmente 453 kg de resíduos.

Retirar o lixo das ruas e depositá-lo num aterro tem também os seus inconvenientes, contudo: a contaminação dos lençóis freáticos; a produção de metano, com forte efeito de estufa, pelos resíduos orgânicos; e o crescimento do espaço ocupado por cada vez mais lixo. É por isso que é importante reciclar; e, nessa matéria, ainda estamos muito mal: dos 453 kg anuais que cada um de nós produz, só 13% vão para a reciclagem.

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